segunda-feira, 5 de outubro de 2020

CONTO AS FORMIGAS Lygia Fagundes Telles

 Quando minha prima e eu descemos do táxi já era quase noite. Ficamos imóveis diante do velho sobrado de janelas ovaladas, iguais a dois olhos tristes, um deles vazado por uma pedrada. Descansei a mala no chão e apertei o braço da prima.

– É sinistro.

Ela me impeliu na direção da porta. Tínhamos outra escolha? Nenhuma pensão nas redondezas oferecia um preço melhor a duas pobres estudantes, com liberdade de usar o fogareiro no quarto, a dona nos avisara por telefone que podíamos fazer refeições ligeiras com a condição de não provocar incêndio. Subimos a escada velhíssima, cheirando a creolina.

– Pelo menos não vi sinal de barata – disse minha prima.

A dona era uma velha balofa, de peruca mais negra do que a asa da graúna. Vestia um desbotado pijama de seda japonesa e tinha as unhas aduncas recobertas por uma crosta de esmalte vermelho-escuro descascado nas pontas encardidas. Acendeu um charutinho.

– É você que estuda medicina? – perguntou soprando a fumaça na minha
direção.
– Estudo direito. Medicina é ela.

A mulher nos examinou com indiferença. Devia estar pensando em outra coisa quando soltou uma baforada tão densa que precisei desviar a cara. A saleta era escura, atulhada de móveis velhos, desparelhados. No sofá de palhinha furada no assento, duas almofadas que pareciam ter sido feitas com os restos de um antigo vestido, os bordados salpicados de vidrilho.

– Vou mostrar o quarto, fica no sótão – disse ela em meio a um acesso de tosse. Fez um sinal para que a seguíssemos.

– O inquilino antes de vocês também estudava medicina, tinha um caixotinho de ossos que esqueceu aqui, estava sempre mexendo neles.

Minha prima voltou-se: – Um caixote de ossos?

A mulher não respondeu, concentrada no esforço de subir a estreita escada de caracol que ia dar no quarto. Acendeu a luz. O quarto não podia ser menor, com o teto em declive tão acentuado que nesse trecho teríamos que entrar de gatinhas. Duas camas, dois armários e uma cadeira de palhinha pintada de dourado. No ângulo onde o teto quase se encontrava com o assoa(ho, estava um caixotinho coberto com um pedaço de plástico. Minha prima largou a mala e pondo-se de joelhos puxou o caixotinho pela alça de corda. Levantou o plástico. Parecia fascinada.

– Mas que ossos tão miudinhos! São de criança? – Ele disse que eram de adulto. De um anão.

– De um anão? É mesmo, a gente vê que já estão formados… Mas que maravilha, é raro à beça esqueleto de anão. E tão limpo, olha aí admirou-se ela. Trouxe na ponta dos dedos um pequeno crânio de uma brancura de cal. – Tão perfeito, todos os dentinhos!

– Eu ia jogar tudo no lixo, mas se você se interessa pode ficar com ele. O banheiro é aqui ao lado, só vocês é que vão usar, tenho o meu lá embaixo. Banho quente, extra. Telefone, também. Café das sete às nove, deixo a mesa posta na cozinha com a garrafa térmica, fechem bem a garrafa – recomendou coçando a cabeça. A peruca se deslocou ligeiramente. Soltou uma baforada final: – Não deixem a porta aberta senão meu gato foge.

Ficamos nos olhando e rindo enquanto ouvíamos o barulho dos seus chinelos de salto na escada. E a tosse encatarrada. Esvaziei a mala, dependurei a blusa amarrotada num cabide que enfiei num vão da veneziana. prendi na parede, com durex, uma gravura de Grassmann e sentei meu urso de pelúcia em cima do travesseiro. Fiquei vendo minha prima subir na cadeira, desatarraxar a lâmpada fraquíssima que pendia de um fio solitário no meio do teto e no lugar atarraxar uma lâmpada de duzentas velas que tirou da sacola. C quarto ficou mais alegre. Em compensação, agora a gente podia ver que a roupa de cama não era tão alva assim, alva era a pequena tíbia que ela tirou de dentro do caixotinho. Examinou-a. Tirou uma vértebra e olhou pelo buraco tão reduzido como o aro de um anel. Guardou-as com a delicadeza com que se amontoam ovos numa caixa.

 Um anão. Raríssimo, entende? E acho que não falta nenhum ossinho, vou trazer as ligaduras, quero ver se no fim da semana começo a montar ele.

Abrimos uma lata de sardinha que comemos com pão, minha prima tinha sempre alguma lata escondida, costumava estudar até a madrugada e depois fazia sua ceia. Quando acabou o pão, abriu um pacote de bolacha Maria.

– De onde vem esse cheiro? – perguntei farejando. Fui até o caixotinho, voltei, cheirei o assoalho.
– Você não está sentindo um cheiro meio ardido?
– É de bolor. A casa inteira cheira assim – ela disse. E puxou o caixotinho para debaixo da cama.

No sonho, um anão louro de colete xadrez e cabelo repartido no meio entrou no quarto fumando charuto. Sentou-se na cama da minha prima, cruzou as perninhas e ali ficou muito sério, vendo-a dormir. Eu quis gritar, tem um anão no quarto!, mas acordei antes. A luz estava acesa. Ajoelhada no chão, ainda vestida, minha prima olhava fixamente algum ponto do assoalho.

– Que é que você está fazendo aí? – perguntei.
– Essas formigas. Apareceram de repente, já enturmadas. Tão decididas, está vendo?

Levantei e dei com as formigas pequenas e ruivas que entravam em trilha espessa pela fresta debaixo da porta, atravessavam o quarto, subiam pela parede do caixotinho de ossos e desembocavam lá dentro, disciplinadas como um exército em marcha exemplar.

– São milhares, nunca vi tanta formiga assim. E não tem trilha de volta, só de ida – estranhei.
– Só de ida.

Contei-lhe meu pesadelo com o anão sentado em sua cama.

– Está debaixo dela – disse minha prima e puxou para fora o caixotinho.
Levantou o plástico.
– Preto de formiga! Me dá o vidro de álcool.
– Deve ter sobrado alguma coisa aí nesses ossos e elas descobriram, formiga descobre tudo. Se eu fosse você, levava isso lá pra fora.

– Mas os ossos estão completamente limpos, eu já disse. Não ficou nem um fiapo de cartilagem, limpíssimos. Queria saber o que essas bandidas vêm fuçar aqui.

Respingou fartamente o álcool em todo o caixote. Em seguida, calçou os sapatos e, como uma equilibrista andando no fio de arame, foi pisando firme, um pé diante do outro na trilha de formigas. Foi e voltou duas vezes. Apagou o cigarro. Puxou a cadeira. E ficou olhando dentro do caixotinho.

– Esquisito. Muito esquisito. – O quê?

– Me lembro que botei o crânio em cima da pilha, me lembro que até calcei ele com as omoplatas para não rolar. E agora ele está aí no chão do caixote, com uma omoplata de cada lado. Por acaso você mexeu aqui?

– Deus me livre, tenho nojo de osso! Ainda mais de anão.

Ela cobriu o caixotinho com o plástico, empurrou-o com o pé e levou o fogareiro para a mesa, era a hora do seu chá. No chão, a trilha de formigas mortas era agora uma fita escura que encolheu. Uma formiguinha que escapou da matança passou perto do meu pé, já ia esmagá-la quando vi que levava as mãos à cabeça, como uma pessoa desesperada. Deixei-a sumir numa fresta do assoalho.

Voltei a sonhar aflitivamente, mas dessa vez foi o antigo pesadelo com os exames, o professor fazendo uma pergunta atrás da outra e eu muda diante do único ponto que não tinha, estudado. As seis horas o despertador disparou veementemente. Travei a campanhia. Minha prima dormia com a cabeça coberta. No banheiro, olhei com atenção para as paredes, para o chão de cimento, à procura delas. Não vi nenhuma. Voltei pisando na ponta dos pés e então entreabri as folhas da veneziana. O cheiro suspeito da noite tinha desaparecido. Olhei para o chão: desaparecera também a trilha do exército massacrado. Espiei debaixo da cama e não vi o menor movimento de formigas no caixotinho coberto.

Quando cheguei por volta das sete da noite, minha prima já estava no quarto. Achei-a tão abatida que carreguei no sal da omelete, tinha a pressão baixa. Comemos num silêncio voraz. Então me lembrei.

– E as formigas?
– Até agora, nenhuma.
– Você varreu as mortas? Ela ficou me olhando.

– Não varri nada, estava exausta. Não foi você que varreu?

– Eu?! Quando acordei, não tinha nem sinal de formiga nesse chão, estava certa que antes de deitar você juntou tudo… Mas, então, quem?!

Ela apertou os olhos estrábicos, ficava estrábica quando se preocupava.
– Muito esquisito mesmo. Esquisitíssimo.

Fui buscar o tablete de chocolate e perto da porta senti de novo o cheiro, mas seria bolor? Não me parecia um cheiro assim inocente, quis chamar a atenção da minha prima para esse aspecto, mas ela estava tão deprimida que achei melhor ficar quieta. Espargi água-de-colônia Flor de Maçã por todo o quarto (e se ele cheirasse como um pomar?) e fui deitar cedo. Tive o segundo tipo de sonho, que competia nas repetições com o tal sonho da prova oral, nele eu marcava encontro com dois namora dos ao mesmo tempo. E no mesmo lugar. Chegava o primeiro e minha aflição era levá-lo embora dali antes que chegasse o segundo. O segundo, desta vez, era o anão. Quando só restou o oco de silêncio e sombra, a voz da minha prima me fisgou e me trouxe para a superfície. Abri os olhos com esforço. Ela estava sentada na beira da minha cama, de pijama e completamente estrábica.

– Elas voltaram.
– Quem?
– As formigas. Só atacam de noite, antes da madrugada. Estão todas aí de novo. A trilha da véspera, intensa, fechada, seguia o antigo percurso da porta até o caixotinho de ossos por onde subia na mesma formação até desformigar lá dentro. Sem caminho de volta.

– E os ossos?
Ela se enrolou no cobertor, estava tremendo.

 Aí é que está o mistério. Aconteceu uma coisa, não entendo mais nada!
Acordei pra fazer pipi, devia ser umas três horas. Na volta, senti que no quarto tinha algo mais, está me entendendo? Olhei pro chão e vi a fila dura de formigas, você se lembra? Não tinha nenhuma quando chegamos. Fui ver o caixotinho, todas se trançando lá dentro, lógico, mas não foi isso o que quase me fez cair pra trás, tem uma coisa mais grave: é que os ossos estão mesmo mudando de posição, eu já desconfiava mas agora estou certa, pouco a pouco eles estão… Estão se organizando.
– Como, se organizando?
Ela ficou pensativa. Comecei a tremer de frio, peguei uma ponta do seu cobertor. Cobri meu urso com o lençol.

– Você lembra, o crânio entre as omoplatas, não deixei ele assim. Agora é a coluna vertebral quejá está quase formada, uma vértebra atrás da outra, cada ossinho tomando o seu lugar, alguém do ramo está montando o esqueleto, mais um pouco e… Venha ver!

– Credo, não quero ver nada. Estão colando o anão, é isso?

Ficamos olhando a trilha rapidíssima, tão apertada que nela não caberia sequer um grão de poeira. Pulei-a com o maior cuidado quando fui esquentar o chá. Uma formiguinha desgarrada (a mesma daquela noite?) sacudia a cabeça entre as mãos. Comecei a rir e tanto que se o chão não estivesse ocupado, rolaria por ali de tanto rir. Dormimos juntas na minha cama. Ela dormia ainda quando saí para a primeira aula. No chão, nem sombra de formiga, mortas e vivas desapareciam com a luz do dia.

Voltei tarde essa noite, um colega tinha se casado e teve festa. Vim animada, com vontade de cantar, passei da conta. Só na escada é que me lembrei: o anão. Minha prima arrastara a mesa para a porta e estudava com o bule fumegando no fogareiro.

– Hoje não vou dormir, quero ficar de vigia – ela avisou. O assoalho ainda estava limpo. Me abracei ao urso.
– Estou com medo.
Ela foi buscar uma pílula para atenuar minha ressaca, me fez engolir a pílula com um gole de chá e ajudou a me despir.

– Fico vigiando, pode dormir sossegada. Por enquanto não apareceu nenhuma, não está na hora delas, é daqui a pouco que começa. Examinei com a lupa debaixo da porta, sabe que não consigo descobrir de onde brotam?

Tombei na cama, acho que nem respondi. No topo da escada o anão me agarrou pelos pulsos e rodopiou comigo até o quarto, Acorda, acorda! Demorei para reconhecer minha prima que me segurava pelos cotovelos. Estava lívida. E vesga.

– Voltaram – ela disse.
Apertei entre as mãos a cabeça dolorida.
– Estão aí? – Ela falava num tom miúdo, como se uma formiguinha falasse com sua voz.

– Acabei dormindo em cima da mesa, estava exausta. Quando acordei, a trilha já estava em plena movimentação. Então fui ver o caixotinho, aconteceu o que eu esperava…

– O que foi? Fala depressa, o que foi?
Ela firmou o olhar oblíquo no caixotinho debaixo da cama.
– Estão mesmo montando ele. E rapidamente, entende? O esqueleto já está inteiro, só falta o fêmur. E os ossinhos da mão esquerda, fazem isso num instante. Vamos embora daqui.

– Você está falando sério?
– Vamos embora, já arrumei as malas.
A mesa estava limpa e vazios os armários escancarados.
– Mas sair assim, de madrugada? Podemos sair assim?
– Imediatamente, melhor não esperar que a bruxa acorde. Vamos, levanta!
– E para onde a gente vai?

– Não interessa, depois a gente vê. Vamos, vista isto, temos que sair antes que o anão fique pronto.

Olhei de longe a trilha: nunca elas me pareceram tão rápidas. Calcei os sapatos, descolei a gravura da parede, enfiei o urso no bolso da japona e fomos arrastando as malas pelas escadas, mais intenso o cheiro que vinha do quarto, deixamos a porta aberta. Foi o gato que miou comprido ou foi um grito?

No céu, as últimas estrelas já empalideciam. Quando encarei a casa, só a janela vazada nos via, o outro olho era penumbra.

 

UM APÓLOGO - MACHADO DE ASSIS

 

Um Apólogo – conto de Machado de Assis

By  | 17/03/2013

Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

— Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

— Deixe-me, senhora.

— Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

— Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

— Mas você é orgulhosa.

— Decerto que sou.

— Mas por quê?

— É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu?

— Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?

— Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados…

— Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faço e mando…

— Também os batedores vão adiante do imperador.

— Você é imperador?

— Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto…

Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

— Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima…

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha, para mofar da agulha, perguntou-lhe:

— Ora agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha: — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça: — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

quarta-feira, 16 de setembro de 2020

ESCOLAS LITARÁRIAS

LITERATURA

TUDO SOBRE AS ESCOLAS LITERÁRIAS

Escolas LiteráriasEscolas Literárias

Romantismo, Simbolismo e Modernismo são nomes comuns pra você? Esses 3 movimentos são alguns exemplos das Escolas Literárias. Leia nosso artigo e saiba o nome de todas as Escolas Literárias e as características de cada uma delas.

As Escolas Literárias caem frequentemente no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e em outros dos principais vestibulares. Pensando nisso, o Beduka preparou um artigo completo sobre elas, fazendo um pequeno resumo sobre cada uma.

Deseja ler os resumos completos sobre cada Escola Literária? Clique aqui

Nesse artigo você encontrará:

  1. O que são Escolas Literárias;
  2. Resumo das Escolas Literárias da Era Colonial;
  3. Resumo das Escolas Literárias da Era Nacional;
  4. Resumo das Escolas Literárias europeias mais importantes.

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O que são Escolas Literárias?

A Literatura é tradicionalmente dividida em Escolas Literárias. Essa divisão também pode ser conhecida como Movimentos Literários ou como Estilos de Época. Dessa forma, a matéria se torna mais didática para os alunos.

Aproveite e faça os Exercícios sobre as Escolas Literárias!

Essa sistematização tem como objetivo facilitar o estudo da disciplina, bem como seu ensino, uma vez que agrupa escritores de acordo com suas características estilísticas, temáticas e, claro, de acordo com o contexto histórico no qual estão inseridos.

A Literatura Brasileira pode ser dividida em duas formas: Escolas Literárias da Era Colonial e Escolas Literárias da Era Nacional. A Era Colonial representa toda a literatura produzida no Brasil Colônia, quando ainda não possuíamos uma identidade literária, tendo em vista a grande influência da cultura europeia, principalmente de Portugal. 

A Era Colonial é representada pelas seguintes Escolas Literárias:

  • Quinhentismo (de 1500 a 1601);
  • Barroco (de 1601 a 1768);
  • Arcadismo (de 1768 a 1808); 

Entre os anos 1808 e 1836 há um período de transição. 

Já a Era Nacional reúne toda a produção literária pós-período de transição, ou seja, de 1836 até a literatura contemporânea. Nela predomina a vertente estética, iniciada após os esforços dos primeiros escritores em construir nossa autonomia literária, criando assim uma literatura genuinamente brasileira, livre da influência europeia.

A Era Nacional é representada pelas seguintes Escolas Literárias:

  • Romantismo (de 1836 a 1881);
  • Realismo e Naturalismo (de 1881 a 1922);
  • Parnasianismo (1882 a 1922)
  • Simbolismo (de 1893 a 1922);
  • Pré-Modernismo (1902 a 1922)
  • Modernismo (de 1922 a 1950);
  • Tendências contemporâneas.

Há também algumas Escolas Literárias europeias que não chegaram ao Brasil, mas que, além de influenciar a Literatura Brasileira, costumam cair no Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). São elas:

  • Trovadorismo (1189 a 1418);
  • Humanismo (1418 a 1527);
  • Classicismo (1527 a 1580).

Era Colonial 

As Escolas Literárias da Era Colonial refletem a influência da literatura portuguesa, afinal surge com o descobrimento do Brasil e dura até alguns anos antes da sua independência.

Veja abaixo um breve resumo sobre cada uma delas. 

Quinhentismo (1500-1601)

Quinhentismo

Essa Escola Literária se resume a toda e qualquer produção feita em 1500, na época do descobrimento do Brasil. O que marca o Quinhentismo é a carta que Pero Vaz de Caminha escreveu ao rei de Portugal relatando tudo que se passava no Brasil e suas riquezas.

Os textos desse movimento literário são de caráter informativo e de caráter pedagógico. É por isso que o Quinhentismo também é chamado de Literatura Informativa. Porém o Quinhentismo se destaca na Literatura Jesuíta através dos sermões com intenção de catequizar os habitantes brasileiros da época, ou seja, os índios. 

Barroco (1601-1768)

Barroco

Enquanto no mundo havia uma crise do homem com a igreja, essa Escola Literária aparece com a intenção de reconciliar o homem com a fé. Era comum encontrar o uso de imagens contrastantes como o crepúsculo (dia/noite) e a aurora (noite/dia). O Barroco é caracterizado pelos detalhes, pelo exagero e pelo rebuscamento. 

Para diversos pesquisadores o Barroco constitui não apenas um estilo artístico, mas todo um período histórico e um movimento sociocultural, onde se formularam novos modos de entender o mundo, o homem e Deus.

Arcadismo (1768-1808)

Arcadismo

Essa Escola Literária é marcada principalmente pela simplicidade dos temas abordados. Tem como características principais a exaltação da natureza e linguagem simples. O Arcadismo é conhecido por se opor ao estilo barroco, inspirando-se em preceitos do Iluminismo.

Era Nacional

As Escolas Literárias da Era Nacional são caracterizadas pela autonomia da literatura brasileira, pois o país, nesse momento, já é independente.

Veja abaixo um breve resumo sobre cada uma delas.

Romantismo (1836-1881)

Romantismo

Essa Escola Literária se caracteriza pelo tema do amor constante e do sofrimento e, também, pela subjetividade e a liberdade formal. Muitos autores desse período eram jovens e morreram cedo.

No Brasil, o Romantismo é dividido em 3 fases. A 1ª é conhecida como fase nacionalista e indianista; a 2ª é marcada pelo egocentrismo e pelo pessimismo; a 3ª é marcada pela liberdade. Aprenda mais sobre elas lendo nosso resumo completo sobre o Romantismo. 

Realismo (1881-1922)

Realismo

O Realismo é um movimento cultural e literário que surgiu no século XIX em oposição ao Romantismo. É uma Escola Literária que usa linguagem clara e objetiva e tem como temática principal os problemas sociais da época.

O Naturalismo e o Parnasianismo surgiram na mesma época que o movimento realista, e apesar do Naturalismo ser parecido com o Realismo eles têm algumas características que os diferem. Saiba quais são elas lendo nosso resumo completo sobre o Realismo. 

Naturalismo (1881-1922)

Naturalismo

O Naturalismo é uma Escola Literária conhecida por ser a radicalização do Realismo, baseando-se na observação fiel da realidade e na experiência, mostrando que o indivíduo é determinado pelo ambiente e pela hereditariedade.

O Naturalismo, apesar de ter origem no Realismo, possui linguagem mais próxima da coloquial e temática mais polêmica. Saiba quais são as outras diferenças entre essa Escola Literária e o Realismo. 

Parnasianismo (1881-1922)

Parnasianismo

Nessa Escola Literária a liberdade formal do Romantismo era desprezada e a busca pela perfeição era exaltada. O Parnasianismo também é conhecido como Neoclassicismo devido ao fato de ter resgatado alguns valores presentes no Classicismo. 

Simbolismo (de 1893-1922)

Simbolismo

O Simbolismo foi um movimento artístico e literário que surgiu na França, ao final do século XIX, como oposição ao Realismo, ao Naturalismo e ao positivismo da época. Movido pelos ideais românticos, estendendo suas raízes à literatura, aos palcos teatrais, às artes plásticas.

Pré-Modernismo (1902-1922)

Pré-Modernismo

Nessa Escola Literária começa a surgir um olhar crítico aos problemas sociais do Brasil e um nacionalismo crítico começa a aparecer. O Pré-Modernismo rompe com o academicismo, além do que é marcado pela marginalidade das suas personagens.

Alguns estudiosos não consideram o Pré-Modernismo como uma Escola Literária, pois ele tem obras artísticas e literárias com características muito distintas.

Modernismo (1922-1950)

Modernismo

O Modernismo rompeu com a tradição clássica e deu início à formação de uma identidade genuinamente brasileira na literatura. O Modernismo se divide em três fases. A 1ª fase é marcada pela renovação estética e pelo radicalismo; a 2ª fase tem temáticas nacionalistas; a 3ª fase é marcada por inovações linguísticas e experimentações artísticas.

Escolas Literárias Europeias

Como falamos, algumas Escolas Literárias não chegaram ao Brasil. Apesar disso, é importante estudá-las já que elas influenciaram a literatura de forma geral. Além disso, é comum elas serem tema do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e de outros principais vestibulares. 

Veja abaixo um breve resumo sobre cada uma delas. 

Trovadorismo (1189-1418)

Trovadorismo

É o primeiro movimento literário da língua portuguesa. Nessa Escola Literária a poesia e a música se misturam e há 4 tipos diferentes de cantigas: Cantigas de Amor, de Amigo, de Escárnio e de Maldizer. As cantigas do trovadorismo eram carregadas de valores típicos de Idade Média. 

Humanismo (1418-1527)

Humanismo

O Humanismo é um movimento intelectual difundido na Europa no século XV e inspirado na civilização greco-romana, que valorizava um saber crítico voltado para um maior conhecimento do homem e uma cultura capaz de desenvolver as potencialidades da condição humana.

Classicismo (1527-1580)

Classicismo

O Classicismo foi um movimento que ocorreu durante o período do Renascimento. Esse movimento tem como principal característica a imitação dos modelos clássicos greco-romanos, o humanismo e a busca pela perfeição.


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